Uso de stents pode dar direito à isenção de Imposto de Renda? Entenda quando aposentados e pensionistas podem ter esse benefício. 

Quem realizou uma angioplastia com colocação de stents costuma acreditar que, após a cirurgia e a melhora dos sintomas, todos os problemas ficaram para trás. No entanto, do ponto de vista médico e jurídico, essa conclusão nem sempre é verdadeira.

Uma das principais dúvidas de aposentados e pensionistas é justamente esta: quem colocou stent tem direito à isenção do Imposto de Renda?

A resposta é: depende da doença que levou à necessidade do procedimento, e não apenas da colocação do stent em si, conforme a matéria a seguir.

 

O stent e quando ele é utilizado

O stent é uma pequena estrutura metálica implantada no interior da artéria coronária para restabelecer o fluxo sanguíneo quando há estreitamento ou obstrução dos vasos que irrigam o coração. Na maioria dos casos, ele é utilizado durante um procedimento chamado angioplastia coronariana, indicado para pacientes que apresentam doença arterial coronariana, geralmente causada pela aterosclerose.


O objetivo do procedimento é evitar ou tratar situações graves, como:

  • Infarto agudo do miocárdio;
  • Angina (dor no peito causada pela falta de circulação);
  • Obstruções importantes das artérias do coração;
  • Redução do risco de novos eventos cardíacos.

Em muitos pacientes, a colocação de um ou mais stents representa apenas uma etapa do tratamento de uma doença cardiovascular crônica.

 

O stent não é uma doença, é um tratamento


A simples existência de um stent não gera automaticamente o direito à isenção do Imposto de Renda.
O que pode gerar esse direito é a doença que levou à necessidade da cirurgia, especialmente quando ela caracteriza uma cardiopatia grave, hipótese expressamente prevista na legislação.

 

A CARDIOPATIA GRAVE está entre as doenças que garantem a isenção


A Lei nº 7.713/1988 prevê que aposentados, pensionistas e militares da reserva ou reformados diagnosticados com cardiopatia grave podem ter direito à isenção do Imposto de Renda incidente sobre seus proventos.

Entretanto, muitas pessoas acabam tendo o benefício negado porque, após a cirurgia, passaram a apresentar exames melhores ou deixaram de sentir sintomas importantes. É justamente nesse ponto que surgem muitos equívocos.

 

Mesmo com a cirurgia bem-sucedida e os sintomas controlados, o direito pode continuar existindo


Na maioria das vezes, sim. A colocação de stents não elimina o fato de que o paciente possui uma doença cardiovascular grave.

O procedimento trata a obstrução existente naquele momento, mas não significa que a doença arterial coronariana deixou de existir. Em outras palavras, o paciente continua sendo portador de uma enfermidade crônica, que exige acompanhamento médico contínuo, uso permanente de medicamentos e controle rigoroso dos fatores de risco.

Essa realidade já foi reconhecida pelos tribunais brasileiros. O Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento de que, para fins de isenção do Imposto de Renda, não é necessária a presença de sintomas atuais nem a demonstração de agravamento da doença, bastando que exista o diagnóstico da enfermidade prevista em lei.

 

Fatores que definem se quem colocou stent pode solicitar a isenção


A análise depende sempre do caso concreto. Alguns fatores costumam ser relevantes, como:

  • Diagnóstico de cardiopatia grave;
  • Histórico de infarto;
  • Doença arterial coronariana importante;
  • Realização de angioplastia;
  • Colocação de um ou mais stents;
  • Cirurgia de revascularização (ponte de safena ou mamária);
  • Laudos médicos e exames que demonstrem a evolução da doença.

 

Cada situação deve ser analisada individualmente, pois a simples realização da cirurgia não basta, mas também não impede o reconhecimento do direito.

 

A isenção não vale para qualquer pessoa


A legislação beneficia, em regra:

  • APOSENTADOS;
  • PENSIONISTAS;
  • MILITARES DA RESERVA REMUNERADA;
  • MILITARES REFORMADOS.

Quem continua exercendo atividade profissional e recebe remuneração pelo trabalho, via de regra, não está abrangido pela isenção sobre esses rendimentos.

 

A recuperação dos valores pagos é possível


Quando o direito é reconhecido, além da suspensão da cobrança futura do Imposto de Renda sobre os proventos alcançados pela lei, também pode ser possível requerer a restituição dos valores pagos indevidamente, observando-se o prazo prescricional aplicável.

Em muitos casos, isso representa uma recuperação financeira significativa para aposentados e pensionistas.

 

Cada caso precisa de análise especializada


A colocação de um stent não significa automaticamente que existe direito à isenção do Imposto de Renda. Por outro lado, também não significa que esse direito esteja afastado.

Na prática, inúmeros aposentados e pensionistas convivem com cardiopatia grave tratada por angioplastia, colocação de stents ou cirurgia cardíaca e desconhecem que podem preencher os requisitos legais para obter a isenção.

Uma análise individual da documentação médica, dos exames, do histórico clínico e dos rendimentos é fundamental para verificar a existência do direito e, quando cabível, buscar tanto a isenção quanto a restituição dos valores pagos indevidamente.

 

Se você é aposentado, pensionista ou militar da reserva e já precisou colocar stents em razão de doença cardíaca, vale a pena verificar se o seu caso se enquadra na legislação. Muitas vezes, o procedimento tratou a obstrução, mas a cardiopatia grave permanece, podendo assegurar um direito que muitos desconhecem.

Salve este conteúdo e compartilhe com quem pode precisar dessa informação.

[ Jaqueline Gazaniga – Advogada | OAB/SC 39.581 ]

Please follow and like us:

Quero receber um material personalizado sobre o assunto.